ABORTO – LEGALIZAÇÃO OU NÃO?
Ouvindo a rádio CBN Notícias desde as 13H30m, uma discussão a respeito
da Legalização do Aborto com a exclusão de dois artigos do Código Penal que
criminalizam essa prática, vi dois pontos de vista, de um lado uma mulher do Movimento
Pró Vida e de outro lado uma ““feminazi”” que não sei quem representa ou quem
é.
A “feminazi” afirma que a OMS prevê que a viabilidade da vida é apenas
após 20 semanas de gestação, enquanto a mulher do Movimento Pró Vida afirma que
a ciência tem que é a partir da concepção.
Pois bem, resolvi pesquisar e descobri que a razão científica está com
a defensora do Movimento Pró Vida, vejamos:
Os livros a seguir citados são usados em cerca de 80% das Faculdades de
Medicina dos Estados Unidos da América e em muitos outros países do mundo. Os
sublinhados foram acrescentados ao texto.
"Zigoto. Esta célula resulta da fertilização de um oócito por
um espermatozoide e é o início de um ser humano... Cada um de nós iniciou a
sua vida como uma célula chamada zigoto." (K. L Moore. The Developing
Human: Clinically Oriented Embryology (2nd Ed., 1977), Philadelphia: W. B.
Saunders Publishers)
"Da união de duas dessas células [espermatozoide e oócito] resulta
o zigoto e inicia-se a vida de um novo indivíduo. Cada um dos
animais superiores começou a sua vida como uma única célula." (Bradley M.
Palten, M. D., Foundations of Embryology (3rd Edition, 1968), New York City:
McGraw-Hill.)
"A formação, maturação e encontro de uma célula sexual feminina
com uma masculina, são tudo preliminares da sua união numa única célula chamada
zigoto e que definitivamente marca o início de um novo indivíduo".
(Leslie Arey, Developmental Anatomy (7th Edition, 1974). Philadelphia: W. B.
Saunders Publishers)
"O zigoto é a célula inicial de um novo indivíduo."
(Salvadore E. Luria, M. D., 36 Lectures in Biology. Cambridge: Massachusetts
Institute of Technology (MIT) Press)
"Sempre que um espermatozoide e um oócito se unem, cria-se
um novo ser que está vivo e assim continuará a menos que alguma
condição específica o faça morrer:" (E. L. Potter, M. D., and J. M. Craig,
M. D Pathology of lhe Fetus and lhe Infant, 3rd Edition. Chicago: Year Book
MedicaI Publishers, 1975.)
"O zigoto (...) representa o início de uma nova vida."
(Greenhill and Freidman's, Biological Principies and Modern Practice of
Obstetrics)
Como já se disse o valor científico destas afirmações é inquestionável,
pois constam dos livros adotados pela maioria das Faculdades de Medicina dos
EUA.
Em 1971 o Supremo Tribunal de Justiça dos EUA pediu a mais de duzentos
cientistas, entre os mais prestigiados especialistas americanos, que
elaborassem um relatório sobre o desenvolvimento embrionário. Esse documento
diz o seguinte:
"Desde a concepção a criança (1) é um
organismo complexo, dinâmico e em rápido crescimento. Na sequência de um
processo natural e contínuo o zigoto irá, em aproximadamente nove meses,
desenvolver-se até aos trilhões de células do bebê recém-nascido. O fim natural
do espermatozoide e do óvulo é a morte, a menos que a fertilização ocorra. No
momento da fertilização um novo e único ser é criado, o qual, embora recebendo
metade dos seus cromossomos de cada um dos progenitores, é completamente
diferente deles". (Amicus Curiae, 1971 Motion and Brief Amicus Curiae of
Certain Physicians, Professors and Fellows of the American College of Obstetrics
and Gyneco1ogy, Supreme Court of the United States, October Term, 1971, No.
70-18, Roe v. Wade, and No. 70-40, Doe v. Bolton.)
Em 1981 o Senado dos EUA estudou a chamada Human Life Bill. Para o
efeito ouviu durante oito dias os maiores especialistas do mundo na questão
(americanos e não só). Ao todo foram feitos cinquenta e sete depoimentos. No
final, o relatório oficial dizia o seguinte:
"Médicos, biólogos e outros cientistas concordam em que a
concepção marca o início da vida de um ser humano - um ser que está vivo e que
é membro da nossa espécie. Há uma esmagadora concordância sobre este ponto num
sem-número de publicações de ciência médica e biológica." (Report.
Subcommittee on Separation of Powers to Senate Judiciary Committee 5-158. 97th
Congress. 1st Session 1981. p. 7.).
Muito bem, a defensora do Pró Vida apresentou argumentos científicos
que procurei checar, enquanto a “feminazi”, apresentou dados incoerentes, ora,
a Organização Mundial de Saúde fala da “Viabilidade da Vida” a partir da 20ª
semana, para o caso de problemas na gestação, ou com a mãe, quando o feto poderia
sobreviver fora do útero e não que o feto não tem vida antes disso.
Oras, é possível ouvir o coração do bebê cerca de 22 dias após a
concepção, ou seja, por volta da quinta semana após a última
menstruação, através de um Doppler fetal, ultrassom vaginal e abdominal ou um
fetoscópio.
E para complementar temos que o coração é o primeiro órgão do bebê que
vai se formar durante a gestação. Uma pesquisa publicada na revista científica
e-Life descobriu que o coraçãozinho do bebê bate pela primeira
vez aos 16 dias de gravidez. Antes, os
cientistas acreditavam que isto ocorria aos 21 dias de gestação.
Dessa forma, sendo o mais flexível possível, vou admitir que a vida
então começa a partir do 16 dia de gestação, quando o coração começa a pulsar,
dado este que pode ainda ser modificado dependendo do avanço dos equipamentos de
detecção.
Então, sou forçado a concluir que o aborto é uma forma de violação ao
direito à vida inerente ao organismo humano vivo que foi gerado no interior do
útero de outro ser humano.
Então, o chavão das “feminazis” de esquerda passa a ser o Direito da
mulher de não querer gerar esse novo ser humano dentro dela.
E nesse sentido farei um comparativo com a Lei Seca que criminaliza o
ato de beber e dirigir, e se em caso de acidente o motorista estiver
alcoolizado será julgado por homicídio doloso, eis que assumiu o risco ao beber
e dirigir.
Pois bem, a mulher sabe que se fizer sexo sem o uso de um método
contraceptivo ela poderá engravidar, antão quando ela aceita fazer sexo sem
usar um contraceptivo ou exigir que o parceiro use, está assumindo o risco de
gerar uma vida, portanto comete homicídio doloso se resolver praticar o aborto.
Simples questão de lógica fundamental.
E por favor, quem não concordar, apresente fundamentos científicos e
não chavões ideológicos.
Jefferson Uanderley
Agosto/2018

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